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“Eu Não Quero Apenas Resolver Problemas. Eu Quero Evitar Que Eles Existam.”

Há advogados que dominam a técnica. Há os que dominam o relacionamento. Nicole Martins construiu uma trajetória rara: domina os dois.

Formada em Direito pela Western Michigan University e em Ciência Política pela Florida International University, ela percorreu caminhos que poucos profissionais da área conseguem reunir em uma só carreira. Passou pelos litígios de alta complexidade, onde aprendeu a lidar com conflitos que atingem o núcleo das famílias. Transitou pelos contratos milionários do setor de aviação, onde cada vírgula fora do lugar pode custar fortunas. E chegou, por escolha, ao planejamento patrimonial: a área onde o Direito deixa de ser reativo e passa a ser um instrumento de proteção.
Fundadora do The Martins Law Firm, em Miami, Nicole atende famílias e empresários que precisam organizar patrimônio, herança e sucessão nos Estados Unidos. Fluente em português, inglês e espanhol, tornou-se uma referência especialmente para a comunidade brasileira que vive no país e que, muitas vezes, desconhece as profundas diferenças entre o sistema jurídico americano e o brasileiro.
Nesta entrevista ao Portal Pulsar Brasil, na Série Negócios, Volume 2, Nicole fala sobre erros comuns, decisões difíceis e o que significa, de fato, planejar um legado.

Nicole Martins é fundadora do The Martins Law Firm, em Miami, e atua nas áreas de planejamento sucessório, inventário e proteção patrimonial. Antes de abrir o próprio escritório, atuou em litígios complexos e trabalhou com contratos milionários no setor de aviação. Fala português, inglês e espanhol com fluência e tem forte atuação junto à comunidade brasileira nos Estados Unidos. Seu foco não está apenas nos documentos: está no planejamento de legado.

Você passou por litígios complexos, contratos milionários na aviação e chegou ao planejamento patrimonial. O que cada uma dessas fases te ensinou sobre o Direito e sobre você mesma como advogada?

Cada uma dessas fases me ensinou algo diferente e profundo, não só sobre o Direito, mas também sobre quem eu sou como advogada.
Nos litígios complexos, aprendi estratégia, resiliência e, principalmente, a lidar com o lado emocional dos conflitos. Por trás de cada processo existem pessoas, histórias e, muitas vezes, dor.
Na área de contratos milionários na aviação, desenvolvi uma visão extremamente técnica e preventiva. Ali, o detalhe faz toda a diferença: um contrato bem estruturado pode evitar anos de disputa.
Já no planejamento patrimonial, encontrei o meu propósito. É uma área onde o Direito deixa de ser reativo e passa a ser profundamente humano e preventivo. Não estou apenas lidando com patrimônio, mas protegendo famílias, histórias e legados.
Sobre mim mesma, entendi que não sou uma advogada que quer apenas resolver problemas: eu quero evitar que eles existam.

Abrir o próprio escritório é uma decisão que exige coragem e clareza. O que faltava nos lugares em que você estava que o The Martins Law Firm veio preencher?

Abrir meu próprio escritório foi, sem dúvida, um ato de coragem, mas também de alinhamento.
Nos lugares em que trabalhei, muitas vezes faltava algo essencial para mim: proximidade com o cliente, sensibilidade cultural e uma visão estratégica de longo prazo.
O The Martins Law Firm nasceu para preencher exatamente isso. Eu queria um escritório onde o cliente não fosse apenas um número, mas alguém cuja família, história e objetivos eu realmente conheço.
Especialmente ao trabalhar com brasileiros nos Estados Unidos, existe uma lacuna enorme de entendimento cultural e jurídico. Por isso, criei um ambiente onde estratégia jurídica e sensibilidade caminham juntas, porque planejamento patrimonial não é só sobre documentos: é sobre confiança.

Existe uma confusão comum entre testamento e trust. Para uma família brasileira que nunca ouviu falar de planejamento sucessório nos Estados Unidos, qual é a diferença que mais importa entender?

Essa confusão é muito comum, e entender a diferença muda tudo.
O testamento, de forma simplificada, é um documento que produz efeitos após o falecimento e precisa passar pelo processo jurídico conhecido como probate, o inventário judicial. Na Flórida, esse processo é obrigatório e não há opção de inventário extrajudicial.
Já o trust é uma estrutura jurídica que permite que o patrimônio seja administrado e transferido de forma privada, mais rápida, muitas vezes mais eficiente e sem a necessidade de inventário.
Para uma família brasileira, o mais importante é entender que o trust não é apenas um documento: é uma estratégia. Ele organiza, protege e direciona o patrimônio ainda em vida e após a morte, garantindo controle desde o momento da assinatura até depois do falecimento.
Essa diferença impacta diretamente tempo, custo e até conflitos familiares.

Quando uma família chega até você depois de um falecimento sem nenhum planejamento feito, quais são os problemas mais recorrentes e mais evitáveis?

Infelizmente, vemos padrões que se repetem.
Os problemas mais comuns são processos longos de inventário, bloqueio de contas, dificuldade de acesso a bens e, muitas vezes, conflitos familiares.
O mais impactante é perceber que grande parte disso seria evitável com um planejamento básico. É possível evitar atrasos, reduzir custos e, principalmente, preservar a harmonia entre os herdeiros.
O que mais me marca nesses casos é que, além da dor da perda, a família precisa lidar com uma burocracia pesada justamente no momento em que mais precisa de tranquilidade.

Há diferenças relevantes entre planejar o patrimônio de um americano e de um brasileiro com bens nos Estados Unidos? Onde estão as principais armadilhas para quem tem ativos em dois países?

Sim, existem diferenças muito relevantes, e também riscos que muitas pessoas não percebem.
Para americanos, o planejamento segue uma lógica mais direta dentro do sistema jurídico local. Já para brasileiros com bens nos Estados Unidos, entramos em um cenário internacional, com duas legislações que podem se sobrepor.
As principais armadilhas estão na tributação, na falta de integração entre documentos feitos no Brasil e nos Estados Unidos e na ausência de planejamento específico para ativos internacionais.
Muitos acreditam que um documento feito no Brasil resolve tudo, e isso raramente é verdade. Planejamento internacional exige coordenação, estratégia e conhecimento dos dois sistemas.

Você fala português fluentemente e tem atuação forte com brasileiros em Miami. O que você observa de diferente na forma como essa comunidade lida ou evita lidar com questões de herança e sucessão?

Existe uma característica muito marcante na comunidade brasileira: uma tendência cultural de evitar esse tipo de conversa.
Falar sobre morte, herança e organização patrimonial ainda gera desconforto. Ao mesmo tempo, há um forte desejo de proteger a família e construir um legado.
O problema é que essa intenção nem sempre se transforma em ação. Muitos deixam para depois, e o “depois” muitas vezes chega tarde demais.
Por outro lado, quando o brasileiro entende como o sistema funciona nos Estados Unidos, ele se engaja rapidamente. O planejamento passa a ser visto não como algo negativo, mas como um verdadeiro ato de cuidado.

Muitos brasileiros chegam aos Estados Unidos sem entender que as regras de herança aqui funcionam de forma completamente diferente do Brasil. Qual é o erro mais comum que você vê acontecer?

O erro mais comum é assumir que as regras dos Estados Unidos são iguais às do Brasil.
Muitos acreditam que o patrimônio será automaticamente transferido para os familiares, e isso não acontece dessa forma. Sem planejamento, os bens podem ficar sujeitos ao inventário, com custos, demora e regras específicas que nem sempre refletem a vontade da família.
Outro erro frequente é não atualizar documentos após mudanças importantes, como mudança de país, casamento, nascimento de filhos ou aquisição de novos bens.
Esse desalinhamento entre expectativa e realidade é o que mais gera problemas.

Qual é a conversa mais difícil que você precisa ter com as famílias e por que ela é também a mais importante?

A conversa mais difícil, e mais importante, é sobre vulnerabilidade.
É falar sobre incapacidade, morte e o que acontece quando você não está mais presente para tomar decisões.
Ninguém quer ter essa conversa, mas é exatamente ela que protege tudo o que foi construído. Porque planejamento patrimonial não é sobre o fim: é sobre continuidade.
É garantir que, independentemente do que aconteça, a família estará protegida, orientada e amparada.
E quando essa conversa é feita com clareza e intenção, ela deixa de ser difícil, e passa a ser um verdadeiro ato de amor.

Se você ainda não organizou seu patrimônio, o que está esperando acontecer para agir? Quanto do que você construiu ao longo da vida estará realmente protegido quando você não puder mais decidir por si mesmo? Sua família sabe exatamente o que fazer, e para onde ir, se algo acontecer com você amanhã?
Nicole Martins tem as respostas. E mais do que isso: tem o caminho.

Esta entrevista faz parte da Série Negócios do Portal Pulsar Brasil, um projeto editorial dedicado a brasileiros que constroem, fora do Brasil, trajetórias que vale a pena contar. Não são histórias de sorte. São histórias de escolha, método e posicionamento.
O Pulsar Brasil acredita que informação de qualidade muda decisões. E decisões mudam vidas.

 

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