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Jennifer Pinheiro: “O Que As Canetas Emagrecedoras Fazem Com O Seu Rosto”

Especialista em harmonização orofacial explica por que o emagrecimento acelerado pode envelhecer a face — e o que fazer antes que os sinais apareçam

Quando o assunto é emagrecimento, o corpo costuma concentrar toda a atenção. O rosto, no entanto, paga um preço silencioso. A cirurgiã-dentista Jennifer Pinheiro, especialista em harmonização orofacial e integrante da primeira turma de especialização reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia no Brasil, acompanha de perto esse efeito colateral que raramente aparece nas bulas. Em entrevista ao Portal Pulsar Brasil, ela explica por que o emagrecimento acelerado pode envelhecer a face, quem está mais vulnerável e o que é possível fazer, preferencialmente antes que os sinais apareçam.

As chamadas “canetas emagrecedoras” viraram febre no Brasil. Do ponto de vista da harmonização orofacial, o que muda na estrutura da face quando o emagrecimento acontece de forma acelerada?

Do ponto de vista da harmonização orofacial, o emagrecimento acelerado impacta diretamente a estrutura de sustentação da face. A gordura facial não tem apenas uma função estética, ela é responsável por dar suporte, contorno e um aspecto mais jovem ao rosto. Quando essa perda acontece de forma rápida, como é comum com o uso das chamadas canetas emagrecedoras, há uma redução significativa desses compartimentos de gordura, principalmente os mais superficiais. A pele não consegue acompanhar essa velocidade, o que leva à flacidez, ao aprofundamento de sulcos, como o bigode chinês, e a uma aparência geral de cansaço e envelhecimento. Além disso, a face costuma ser uma das primeiras regiões a refletir esse processo, justamente porque depende muito desse volume para manter a harmonia. Diferente do corpo, onde existe maior suporte muscular, no rosto essa perda de gordura faz com que a sustentação diminua rapidamente, evidenciando os sinais de envelhecimento de forma quase imediata.

Jennifer, você menciona compartimentos de gordura facial que têm função estrutural. Pode explicar, de forma didática, o que são esses coxins de gordura e por que eles são tão determinantes para a aparência jovem do rosto?

Os coxins de gordura são compartimentos naturais de gordura que existem na face e têm uma função muito mais estrutural do que apenas estética. Eles ajudam a sustentar a pele, manter o contorno facial e garantir aquele aspecto mais firme e descansado que associamos a um rosto jovem. Esses compartimentos estão distribuídos em diferentes camadas e regiões do rosto, e cada um contribui para a harmonia facial. Quando estão preservados, eles funcionam como um suporte interno, mantendo a pele posicionada e evitando que ela ceda com facilidade. O problema é que, em situações de emagrecimento acelerado, como no uso das canetas emagrecedoras, esses coxins diminuem de volume rapidamente. Como a pele não acompanha essa perda na mesma velocidade, ocorre uma perda de sustentação, levando à flacidez, ao aprofundamento de sulcos e a uma aparência mais envelhecida e cansada. Por isso eles são tão determinantes para a aparência jovem. Não se trata apenas de ter volume, mas de manter a estrutura e o equilíbrio da face.

Existe um perfil de paciente mais vulnerável a esse “derretimento” da face, seja por idade, biotipo ou histórico estético? O que a sua prática clínica tem mostrado?

Sim, existe um perfil de paciente que tende a ser mais vulnerável a esse processo. De forma geral, pessoas acima dos 35 anos costumam sentir mais os efeitos, porque já há uma redução natural de colágeno, o que compromete a capacidade de sustentação da pele. Além disso, pacientes com rostos naturalmente mais finos ou alongados também têm maior risco, justamente por já possuírem menos reserva de gordura facial. Quando há uma perda acelerada, esse impacto se torna ainda mais evidente. Outro ponto importante é a velocidade do emagrecimento e a quantidade de gordura facial prévia. Pessoas que emagrecem muito rápido ou que já tinham pouco volume tendem a apresentar mais flacidez, sulcos marcados e aquele aspecto de rosto mais cansado. Na prática clínica, o que se observa é que esses fatores não atuam isoladamente. Existe uma combinação entre idade, características individuais e a forma como esse emagrecimento acontece, o que explica por que alguns pacientes sentem muito mais esse “derretimento” da face do que outros.

O preenchimento full face se diferencia dos preenchimentos pontuais mais conhecidos pelo público. Qual é a lógica por trás dessa abordagem e quais resultados ela é capaz de entregar?

O preenchimento full face parte de uma lógica diferente dos preenchimentos pontuais porque não foca apenas em corrigir um sulco ou uma região isolada. A proposta é olhar a face como um todo, entendendo como as estruturas se relacionam e onde houve perda de suporte ao longo do processo de emagrecimento ou envelhecimento. Em vez de preencher áreas específicas, essa abordagem busca devolver estrutura e equilíbrio, reposicionando volumes de forma estratégica e respeitando as proporções naturais do rosto. O objetivo não é aumentar ou exagerar traços, mas recuperar a harmonia facial. Com isso, os resultados tendem a ser mais naturais, com melhora global do contorno, suavização de sulcos e uma aparência mais descansada, sem aquele aspecto artificial que pode acontecer quando não há planejamento adequado.

Há um momento certo para iniciar o acompanhamento orofacial durante o uso dessas medicações? O timing faz diferença no resultado final?

Sim, o timing faz diferença e, na verdade, é um dos pontos mais importantes. O ideal é iniciar o acompanhamento desde o começo do processo de emagrecimento, não apenas depois que os sinais já apareceram. Quando esse cuidado começa cedo, é possível preservar melhor a estrutura da face, mesmo com a perda dos coxins de gordura. Além disso, já se inicia o estímulo de colágeno, o que ajuda a manter a sustentação da pele ao longo do processo. Esse acompanhamento precoce reduz a chance de um derretimento mais acentuado e evita a necessidade de intervenções corretivas mais intensas no futuro.

Bioestimuladores e tecnologias para colágeno aparecem como aliados nesse processo. Como funciona essa combinação de tratamentos na prática?

Na prática, os bioestimuladores e as tecnologias para estímulo de colágeno entram como aliados justamente para melhorar a qualidade da pele e a sustentação ao longo do processo de emagrecimento. Enquanto o preenchimento atua na reposição de estrutura e volume, esses tratamentos complementares ajudam a estimular a produção de colágeno, que é fundamental para dar firmeza e sustentação à pele. Isso é especialmente importante porque, com o passar do tempo e também com o emagrecimento acelerado, há uma tendência maior à flacidez. A associação dessas abordagens permite um resultado mais equilibrado, porque não se trata apenas de devolver volume, mas também de melhorar a qualidade da pele. Com isso, a face tende a responder melhor ao tratamento como um todo, com um aspecto mais firme, natural e harmonioso.

A harmonização orofacial ainda é pouco compreendida pela população. Quais são os principais equívocos que você encontra sobre o que essa especialidade pode e não pode fazer?

Um dos principais equívocos é associar a harmonização orofacial apenas a exageros ou a resultados artificializados. Muitas pessoas ainda acreditam que o objetivo dos procedimentos é mudar o rosto ou criar volume em excesso, quando, na verdade, a proposta é justamente o oposto: preservar a naturalidade e reequilibrar a face. Outro erro comum é pensar que o problema está nos produtos, como o ácido hialurônico, quando, na prática, o que mais impacta o resultado é a forma como ele é utilizado. Sem planejamento, com aplicações repetidas e sem uma visão global da face, pode haver acúmulo e resultados indesejados. Mas isso não significa que a técnica ou o produto sejam inadequados. Também existe uma visão simplificada de que os procedimentos são pontuais e isolados, quando o ideal é que exista uma estratégia, considerando a face como um todo e, muitas vezes, associando diferentes abordagens. Por fim, há uma subestimação da importância da qualificação profissional. A harmonização envolve conhecimento profundo de anatomia facial e planejamento individualizado. Sem isso, aumentam os riscos de resultados artificiais ou até desproporcionais.

Para quem está considerando usar canetas emagrecedoras e nunca pensou na saúde da face como parte desse processo, qual seria a sua orientação antes de começar?

A principal orientação é entender que o emagrecimento não impacta apenas o corpo, mas também a face, e que esse cuidado precisa fazer parte do planejamento desde o início. O ideal é buscar uma avaliação com um profissional qualificado antes mesmo de iniciar o processo, para analisar a estrutura facial, a quantidade de gordura e as características individuais. Isso permite prever possíveis impactos e, se necessário, já traçar uma estratégia para preservar a harmonia do rosto ao longo do emagrecimento. Além disso, o acompanhamento precoce ajuda a evitar perdas de volume mais acentuadas e reduz a necessidade de intervenções corretivas no futuro. É sempre mais eficaz prevenir do que tentar corrigir depois. Por fim, é fundamental procurar um profissional que tenha uma visão global da face e trabalhe com planejamento. Sem essa avaliação adequada, existe o risco de resultados artificiais ou até de piora da flacidez, o que pode comprometer justamente a autoestima que motivou o processo de emagrecimento.

Emagrecer é um processo que vai muito além da balança. O corpo muda, mas o rosto também sofre transformações que raramente estão no planejamento de quem começa esse caminho. Cuidar da saúde de forma integral significa não ignorar o que acontece com a face enquanto os números caem. A orientção precoce, o acompanhamento especializado e o olhar global sobre o corpo são parte do mesmo processo, não etapas separadas.

O Portal Pulsar Brasil traz regularmente conteúdos como este na seção Estética Contemporânea, com especialistas que atuam na linha de frente das áreas da saúde e do bem-estar. O objetivo é oferecer informação qualificada para quem busca decisões mais conscientes sobre o próprio corpo.

Jennifer Pinheiro é cirurgiã-dentista especialista em harmonização orofacial, com atuação em Curitiba (PR). Integrante da primeira turma de especialização reconhecida pelo CFO, pode ser encontrada no Instagram @dra_jenniferpinheiro 

 

 

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