PUBLICIDADE

Fila de espera por transplante de córnea no Brasil atinge marca de 38 mil pacientes

Fila de espera por transplante de córnea no Brasil atinge marca de 38 mil pacientes
Divulgação/HFB

O Brasil enfrenta um desafio crescente na área da saúde ocular, com um contingente de 37.719 pessoas aguardando na fila por um transplante de córnea. Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) revelam que, entre dezembro de 2025 e o momento atual, houve um incremento de 24% na demanda, saltando de 32.639 pacientes para o patamar atual em apenas seis meses.

Apesar do volume expressivo de pacientes, o país atingiu um marco histórico em 2025, realizando 17.790 cirurgias. O paradoxo reside no fato de que, mesmo operando próximo à autossuficiência para o fluxo anual, a lista de espera continua em expansão devido à velocidade com que novas indicações médicas são registradas no sistema nacional.

Impacto no tempo de espera e fatores de represamento

O acúmulo de pacientes ao longo dos anos resultou em um aumento significativo no tempo médio de espera, que hoje chega a 370 dias. Este período é mais que o dobro dos 174 dias registrados há uma década, evidenciando uma pressão crescente sobre a rede pública e privada de saúde.

Especialistas apontam que o cenário atual é reflexo de múltiplos fatores, incluindo a pandemia de covid-19, que entre 2020 e 2023 forçou o represamento de cirurgias eletivas. Além disso, a defasagem nos valores repassados para os procedimentos e os custos elevados de insumos, frequentemente cotados em dólar, dificultam a operação dos bancos de olhos.

Disparidades regionais na gestão das filas

A eficiência na gestão das listas varia drasticamente entre as unidades da federação. O Ceará destaca-se como referência nacional, encerrando dezembro de 2025 com apenas 93 pacientes ativos, graças a uma alta rotatividade do sistema. O Mato Grosso segue uma tendência positiva, mantendo apenas 37 pessoas à espera.

Em contrapartida, estados como o Rio de Janeiro enfrentam um desequilíbrio crítico, com 4.760 pacientes ativos, após realizar 653 transplantes frente a 1.720 novos ingressos no mesmo período. São Paulo detém a maior fila absoluta do país, com 7.505 pacientes, enquanto Amapá e Roraima não registraram nenhum procedimento realizado ao longo de 2025.

Perfil demográfico e contexto internacional

O perfil dos pacientes em espera é majoritariamente feminino, representando 56% do total. O envelhecimento da população também exerce influência direta, com pessoas de 65 anos ou mais compondo 47% da fila, um reflexo do aumento das doenças degenerativas da córnea. A fila infantojuvenil também preocupa, com 753 crianças e adolescentes aguardando pelo procedimento.

Apesar das dificuldades internas, o Brasil mantém uma avaliação internacional positiva, apresentando um desempenho comparável ao de nações como Canadá e Austrália. Na América Latina, o país lidera com folga em relação a vizinhos como Argentina, Chile, Colômbia e México, consolidando-se como um polo de referência em transplantes de córnea no continente.

Leia mais

Últimas

PUBLICIDADE

Anúncio não encontrado.

PUBLICIDADE