Reconhecido internacionalmente por sua atuação no contorno corporal, o Dr. Gustavo Aquino construiu uma carreira que vai além da excelência técnica. Sua prática une ciência, olhar artístico e uma visão profundamente humanizada da medicina, resultado de uma formação sólida, vivência no sistema público de saúde e atuação constante em centros de referência no Brasil e no exterior. Ao longo dos anos, desenvolveu protocolos próprios, incorporou tecnologias de ponta e ajudou a redefinir os padrões de segurança, naturalidade e previsibilidade na cirurgia plástica moderna.
Nesta entrevista à Revista Pulsar, o médico compartilha os caminhos que o levaram da incerteza profissional à consolidação como referência mundial, reflete sobre a escultura do corpo humano como expressão científica e artística, e analisa os desafios éticos, técnicos e comunicacionais da cirurgia plástica na era das redes sociais. Uma conversa que revela não apenas o especialista, mas o propósito que sustenta cada decisão dentro e fora do centro cirúrgico.
O senhor é reconhecido internacionalmente no contorno corporal. Quais fatores acredita que o diferenciam como referência mundial nessa área?
O que me diferencia é a combinação entre domínio técnico, visão artística e humanização. Desenvolvi protocolos próprios de remodelação corporal, com ênfase no contorno em alta definição, que unem segurança, previsibilidade e resultado estético refinado. Além disso, a minha atuação internacional, em congressos e centros de referência, permitiu absorver o que há de mais avançado no mundo e adaptar para a realidade brasileira. Nunca deixei de lado tudo o que aprendi no SUS, e sinto que isso deu um toque inspirador na minha jornada. Essa soma de experiência, inovação e consistência nos resultados é o que me consolidou como referência.
Como surgiu sua paixão pela cirurgia plástica e, em especial, pelo contorno corporal?
Nunca pensei em ser cirurgião plástico, mas sempre quis ser médico, inspirado pelo meu pediatra, Dr. Brant. Entrei na medicina com o sonho de ser pediatra, mas, ao lidar com crianças gravemente doentes e até com perdas, percebi que aquele não era o meu caminho. Fiquei quase um ano sem saber o que fazer.
Sempre gostei de mágica embora minhas mágicas fossem péssimas e, quando descobri a cirurgia plástica, entendi que ali estava a combinação de tudo o que eu buscava: algo transformador, quase mágico e profundamente artístico.

A escultura do corpo humano exige técnica e também sensibilidade artística. Como o senhor equilibra ciência e arte dentro do centro cirúrgico?
A ciência me garante segurança, protocolos bem definidos, conhecimento anatômico e acesso à tecnologia de ponta. A arte está no olhar, no senso de proporção e na capacidade de interpretar o desejo do paciente para além da técnica. No centro cirúrgico, esse equilíbrio acontece quando aplico as ferramentas mais modernas de forma personalizada, respeitando a individualidade de cada corpo. Cada paciente é uma tela única, onde a precisão científica sustenta a expressão artística.
Quais são as inovações mais recentes em contorno corporal que têm transformado os resultados para os pacientes?
Hoje trabalhamos com tecnologias avançadas de retração cutânea, enxertia muscular para definição anatômica e integração de técnicas que unem lipoaspiração de alta definição à remodelação tridimensional. O uso de energias assistidas, como radiofrequência e plasma, também potencializa os resultados. Mas a maior inovação está no conceito integrado: não falamos apenas de cirurgia, e sim de protocolos completos de reabilitação, humanização, gestão de resultados e acompanhamento contínuo, que ampliam o impacto do procedimento para além da sala cirúrgica.

O senhor é professor e atua em grandes centros médicos internacionais. Como essa vivência global influencia sua prática no Brasil?
A vivência global me permite conhecer diferentes culturas, realidades e expectativas. Ensinar e operar fora do Brasil amplia meu repertório e me dá a oportunidade de adaptar o que funciona lá fora para o nosso contexto. Esse intercâmbio eleva o padrão do que entrego aqui. Pacientes e alunos brasileiros passam a ter acesso ao que há de mais moderno no mundo sem precisar sair do país. Costumo dizer que cada experiência internacional é um degrau que sobe junto com a minha prática no Brasil. Hoje, orgulhosamente, já treinamos mais de mil cirurgiões plásticos e lideramos a maior plataforma de ensino médico em cirurgia plástica do país, a @thenextlevelmedical.
Na sua visão, quais são os maiores desafios da cirurgia plástica moderna, especialmente quando falamos em segurança e naturalidade dos resultados?
O maior desafio é alinhar expectativa e realidade. Muitos pacientes chegam influenciados por referências das redes sociais, que nem sempre são possíveis ou saudáveis. Outro ponto crítico é manter resultados naturais sem abrir mão da transformação desejada. Isso exige protocolos rigorosos de segurança, planejamento cirúrgico em fases quando necessário e, sobretudo, comunicação transparente. A cirurgia moderna pede menos promessas e mais entrega de cuidado e experiência.

Muitos pacientes buscam mudanças estéticas com expectativas elevadas. Como o senhor trabalha a comunicação e o alinhamento de resultados?
Trato cada paciente como um projeto único. Durante a consulta, explico com clareza o que é possível, o que é seguro e o que não faz sentido dentro daquela anatomia. Utilizo recursos visuais, metáforas e comparações para tornar a conversa acessível. Mais do que vender um resultado, busco construir uma relação de confiança. Essa comunicação é o que evita frustrações e transforma a jornada em uma experiência positiva e realista.
Quais conselhos o senhor daria para jovens cirurgiões plásticos que desejam se especializar em contorno corporal e alcançar reconhecimento internacional?
Nunca pule etapas. Domine a anatomia, respeite a segurança do paciente e busque mentores. Desenvolva o olhar artístico, porque contorno corporal não é apenas retirar gordura, é esculpir proporções. Invista em educação continuada, participe de cursos fora do Brasil, construa uma rede internacional e entenda que reconhecimento vem da consistência. Não é sobre uma cirurgia, mas sobre anos de resultados entregues com excelência.

Ao longo da conversa, fica claro que a trajetória do Dr. Gustavo Aquino é construída muito além da técnica. Sua visão sobre o contorno corporal revela uma medicina que respeita limites, valoriza a individualidade e entende a transformação estética como parte de um processo mais amplo de cuidado humano. Entre ciência, arte e responsabilidade, ele representa uma geração de cirurgiões que não mede sucesso apenas por resultados visuais, mas pela experiência entregue ao paciente e pelo impacto positivo deixado em cada jornada. Um olhar contemporâneo sobre a cirurgia plástica, que aponta para um futuro mais ético, seguro e consciente.
Foto: _mccastro_