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Alimentos fit que enganam: a verdade sobre rótulos e ingredientes ultraprocessados

Alimentos fit que enganam: a verdade sobre rótulos e ingredientes ultraprocessados
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Muitos consumidores buscam escolhas mais saudáveis nas prateleiras dos supermercados, guiados por promessas estampadas em letras garrafais nas embalagens. Termos como fit, zero, fonte de fibras ou rico em proteínas criam uma percepção imediata de qualidade nutricional. No entanto, uma análise detalhada da lista de ingredientes revela frequentemente uma realidade distante do marketing publicitário.

Com base em avaliações realizadas pela empresa francesa Yuka, que utiliza um aplicativo para interpretar rótulos, foi possível verificar a composição de produtos populares no Brasil. O estudo atribuiu notas de 0 a 100, evidenciando como a formulação industrial pode comprometer o valor nutricional de itens que se apresentam como opções equilibradas.

O impacto dos aditivos em bebidas proteicas

O produto YoPRO + Recovery Boost, da Danone, recebeu a nota zero na avaliação, destacando-se negativamente devido à presença de aditivos e alta concentração de açúcar. Embora prometa 23 gramas de proteínas e suplementação de BCAA para recuperação muscular, a fórmula contém 4,8 gramas de açúcares a cada 100 mililitros, o que representa 20% da ingestão diária máxima recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Além do açúcar, o produto utiliza espessantes e emulsificantes como a carboximetilcelulose sódica e a carragena. Embora o Comitê Conjunto de Especialistas em Aditivos Alimentares (JECFA) considere a ingestão dessas substâncias aceitável, estudos científicos investigam possíveis efeitos inflamatórios e danos à microbiota intestinal decorrentes do consumo frequente de aditivos industriais.

Limites do consumo de produtos zero açúcar

Itens como o Danone Zero Yogurt e o Nestlé Iogurte Batido Zero, que receberam notas baixas (7/100 e 9/100, respectivamente), ilustram o desafio dos produtos sem açúcar adicionado. Embora eliminem a lactose e a gordura, essas formulações dependem de edulcorantes como a sucralose e conservantes como o sorbato de potássio para manter o sabor e a durabilidade.

A substituição sistemática do açúcar por adoçantes intensos não é considerada a estratégia ideal para perda de peso ou saúde metabólica. Especialistas, como a nutricionista Manuela Dolinsky, presidente do Conselho Federal de Nutrição, defendem que a adaptação do paladar para alimentos menos doces é uma abordagem mais eficaz do que a simples troca por produtos ultraprocessados. A classificação NOVA define esses itens como formulações industriais pobres em nutrientes integrais e ricas em componentes químicos, estando associadas a diversos riscos à saúde, como diabetes e hipertensão. Para mais informações sobre a qualidade dos alimentos, consulte o portal [Saúde Abril](https://saude.abril.com.br/).

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