A trajetória da dermatologista Anna Laura é marcada por escolhas conscientes e pela busca por um cuidado que ultrapassa a técnica. Antes de seguir na dermatologia, ela iniciou sua trajetória na anestesiologia, experiência que contribuiu muito para sua formação. Mas foi na dermatologia que encontrou o espaço para reunir o tratamento de doenças, a prevenção e os procedimentos estéticos a algo que considera essencial: o vínculo contínuo com o paciente.
A vontade de acompanhar cada processo de perto também a conduziu a um passo decisivo: a abertura de uma clínica própria em Uberlândia, cidade onde estão sua família e suas raízes.
Recém-aprovada como membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Anna Laura alcançou um reconhecimento que traduz anos de dedicação, estudo e compromisso com a especialidade. Em sua prática, defende uma dermatologia que respeita a identidade de cada pessoa e enxerga a estética sempre atrelada à saúde.
Nesta entrevista ao Portal Pulsar Brasil, ela fala sobre as motivações que orientaram sua carreira, os desafios de empreender na medicina e a filosofia que sustenta seu trabalho: realçar a beleza sem apagar aquilo que torna cada paciente único.

Da anestesiologia à dermatologia: o que fez você perceber que a dermatologia era a especialidade que realmente queria seguir para construir sua trajetória profissional?
Durante o período em que cursei anestesiologia, tive experiências que contribuíram muito para a minha formação. Mas, ao longo do tempo, percebi que buscava uma especialidade que me permitisse ter um maior contato com o paciente, com um acompanhamento contínuo, criando vínculo e participando não apenas de momentos pontuais, mas de todo o processo de cuidado.
Na dermatologia, encontrei o equilíbrio que procurava: a possibilidade de tratar doenças, prevenir, cuidar da saúde da pele e, ao mesmo tempo, trabalhar com procedimentos, algo de que sempre gostei, e com autoestima. Foi aqui que consegui unir diferentes coisas que fazem sentido para mim dentro da medicina.
O desejo de empreender: o que despertou em você a vontade de deixar uma estrutura de atendimento compartilhada e investir em uma clínica própria?
A vontade de ter uma clínica própria veio muito do desejo de construir um espaço que tivesse a minha identidade e refletisse a forma como acredito que a Medicina e a Dermatologia devem ser exercidas. Eu queria poder cuidar de cada detalhe, desde a experiência que o paciente tem ao entrar até a forma como o atendimento é conduzido.
Mais do que ter um espaço físico, empreender significa assumir a responsabilidade de construir algo que represente aquilo em que acredito como médica: um atendimento próximo, individualizado, cuidadoso e baseado em ética e conhecimento.

Uma nova fase em Uberlândia: o que você buscou criar nesse espaço e qual experiência deseja proporcionar aos seus pacientes?
Uberlândia, além de ser uma cidade que está em constante crescimento, é o lugar onde estou próxima da minha família e dos meus amigos. Por isso, abrir essa clínica aqui tem um significado muito especial.
Eu quis criar um espaço que unisse dermatologia, tecnologia e acolhimento, mas que também tivesse a minha personalidade.
Quero que o paciente se sinta bem cuidado desde o primeiro contato, tenha segurança nas escolhas de tratamento e perceba que cada conduta foi pensada especificamente para ele, sem nada padronizado. A ideia é que a pessoa se sinta acolhida em nossa clínica e tenha seu problema resolvido.
A conquista do título: como membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o que essa conquista representa para você e para a sua trajetória profissional?
A conquista do título de especialista e a aprovação para me tornar membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia representam muito mais do que um título. Para mim, simbolizam a concretização de um caminho construído com muita dedicação, estudo e compromisso com a Dermatologia.
Foi um momento que me permitiu olhar para minha trajetória com mais segurança e reconhecer o quanto cresci profissionalmente ao longo desse processo. Ao mesmo tempo, essa conquista aumenta a minha responsabilidade de continuar estudando, me atualizando e oferecendo uma Dermatologia cada vez mais séria, ética e baseada em conhecimento.

Dermatologia além da estética: como você equilibra saúde da pele, prevenção e tratamentos estéticos na sua prática clínica?
A estética é uma das áreas dentro da dermatologia, mas nunca deve estar dissociada da saúde. Ela ganha muito mais sentido quando está inserida em uma avaliação médica completa. Na minha prática, gosto de começar entendendo o paciente como um todo: suas queixas, seus hábitos e aquilo que realmente o incomoda.
Quando existe uma demanda estética, procuro integrá-la ao cuidado, utilizando tratamentos que tenham indicação e que façam sentido para aquela pessoa. Para mim, estética não é transformar o paciente, mas cuidar da pele e potencializar a sua melhor versão.
Beleza com naturalidade: qual é a sua filosofia para realçar a beleza do paciente sem apagar aquilo que o torna único?
Acredito muito em uma beleza que preserve a identidade de cada um. Tem uma frase que sempre digo e que, inclusive, temos na recepção da clínica: “Há muita beleza na sua singularidade”.
Às vezes, as pessoas querem corrigir tudo, mas somos imperfeitos e assimétricos, e isso também nos deixa bonitos. São essas características que mantêm nossa individualidade e naturalidade.
Outra coisa que reforço é que meu objetivo como dermatologista é ajudar o paciente a envelhecer da melhor forma. Quando você me traz uma queixa, vou sempre apontar o melhor caminho de tratamento, respeitando sua individualidade, mas nunca, jamais, acrescentar uma insegurança que não existia antes.
Acho que o melhor resultado estético é aquele que realça, mas não substitui, quem você é.

Medicina e empreendedorismo: quais foram os maiores desafios e aprendizados ao transformar o sonho de ter uma clínica própria em realidade?
O maior desafio foi entender que, ao construir uma clínica, eu deixava de cuidar apenas da parte médica e passava a cuidar também de gestão, financeiro, marketing, estrutura, experiência do paciente e tantas outras coisas que não aprendemos na faculdade.
É um processo de aprendizado constante e também de sair da zona de conforto. Empreender exige planejamento, mas também coragem para começar.
O que me fez querer começar foi pensar onde quero estar daqui a dez anos. Mesmo começando aos poucos, quero crescer por mim mesma. E quero que minha clínica tenha a minha identidade.
Os próximos capítulos: olhando para essa nova fase, quais são os próximos sonhos da Dra. Anna Laura e o que ainda deseja construir na dermatologia?
Acho que estou apenas começando. Quero continuar me aprofundando cada vez mais na dermatologia, principalmente nos tratamentos que conseguem unir tecnologia, ciência e naturalidade.
Também quero continuar construindo uma clínica sólida, reconhecida pela qualidade do atendimento e pela confiança dos pacientes. Tenho muitos sonhos ainda: de crescimento profissional, de novos tratamentos, de me manter atualizada e, principalmente, de construir uma trajetória da qual eu me orgulhe.
Mais do que crescer por crescer, quero construir algo que tenha propósito e que represente exatamente a médica que escolhi ser.

Ao olhar para o futuro, Anna Laura enxerga o momento atual como um ponto de partida. Entre seus planos estão o aprofundamento em tratamentos que reúnem tecnologia, ciência e naturalidade e a consolidação de uma clínica reconhecida pela qualidade e pela confiança de quem a procura. Mais do que expandir, sua meta é construir uma trajetória com propósito, capaz de traduzir a médica que escolheu ser e de manter, em cada atendimento, o respeito pela singularidade que define cada paciente.
Foto: Vivi Vasconcelos