Trumpas construiu sua trajetória entre dois lados da câmera. Antes de fundar o Studio Trumpas e se tornar referência em fotografia corporativa no Brasil, ele passou três anos como modelo na Europa, onde aprendeu na prática o que uma imagem comunica, o que ela omite e o que ela pode construir. De volta ao país, levou essa dupla experiência para o seu trabalho, desenvolvendo um método que vai além do enquadramento e da luz. Para ele, fotografar um profissional é um exercício de posicionamento estratégico. Nesta entrevista ao Portal Pulsar Brasil Negócios, edição 3, Trumpas fala sobre o que separa uma foto bonita de uma imagem que transforma carreiras, sobre os erros mais comuns de quem subestima o peso da própria imagem visual, e sobre o que a pandemia revelou acerca do que, afinal, é essencial nessa profissão.
Você começou como modelo na Europa antes de virar fotógrafo. O que estar do outro lado das lentes te ensinou sobre o que uma imagem é capaz de revelar — e de esconder?
Estar na frente da câmera me ensinou que uma imagem nunca é só estética ela é narrativa. Eu vivi na pele o que é ser dirigido, moldado e, muitas vezes, interpretado. Uma foto pode revelar força, confiança, autoridade… mas também pode esconder insegurança, desalinhamento e até falta de identidade. Foi ali que eu entendi: a câmera não mente, mas ela pode ser conduzida a contar apenas parte da verdade. Hoje, como fotógrafo, eu escolho revelar o que é estratégico sem perder a essência.

Seu método inclui estudar não só a pessoa, mas o mercado e o público que ela quer atingir. Como esse processo acontece na prática antes de um ensaio corporativo?
Antes de qualquer clique, eu faço um diagnóstico. Eu analiso três pilares: quem a pessoa é, como o mercado enxerga autoridade naquele segmento e o que o público valoriza visualmente. É quase um trabalho de branding, não só de fotografia. Eu entendo posicionamento, concorrência e objetivo se é vender, atrair, se diferenciar ou escalar imagem. A partir disso, o ensaio deixa de ser “foto bonita” e vira uma construção estratégica de percepção.
Qual é a diferença real entre uma foto tecnicamente impecável e uma foto que efetivamente posiciona alguém no mercado?
Uma foto impecável agrada o olhar. Uma foto estratégica gera movimento. A diferença está na intenção. Técnica sem direção é só estética. Já uma imagem bem posicionada comunica valor, autoridade e clareza ela faz quem vê entender rapidamente “quem é essa pessoa” e “por que ela importa”. No mercado, isso muda tudo.
Você afirma que a boa fotografia não inventa ela revela. Mas o que fazer quando o cliente ainda não sabe com clareza quem ele quer ser ou como quer ser percebido?
Esse é mais comum do que parece e é aí que entra o meu papel além da câmera. Eu ajudo a construir essa clareza. Faço perguntas, provoco, direciono. Muitas vezes o cliente tem potencial, mas não tem consciência dele ainda. O ensaio vira quase um processo de descoberta. A imagem final não é uma invenção é uma versão organizada, intencional e potencializada de quem ele já é.

Quais são os erros mais frequentes que profissionais cometem ao pensar na própria imagem visual?
O principal erro é querer parecer algo que não sustenta na prática. Depois vem: copiar referências sem estratégia, focar só em estética e ignorar posicionamento, e não entender que imagem é comunicação não vaidade. Outro erro grande é não alinhar a imagem com o público que quer atingir. Não adianta parecer sofisticado se o seu público busca proximidade, por exemplo.
Como você lida com a diferença entre a autopercepção do cliente e a imagem que ele realmente projeta?
Com verdade e direção. Eu mostro, explico e conduzo. Muitas pessoas se veem de uma forma, mas o mercado percebe outra e isso gera ruído. Meu trabalho é alinhar esses dois pontos. Não é sobre mudar quem a pessoa é, mas sobre ajustar a forma como isso é comunicado. Quando há esse alinhamento, a imagem ganha força e credibilidade.

A pandemia forçou uma reinvenção do seu trabalho. O que esse período te ensinou sobre o que, afinal, é essencial na fotografia?
A pandemia me ensinou que o essencial não é equipamento, nem cenário é conexão, direção e intenção. Foi nesse período que surgiu um dos projetos que mais me marcou: o “Eu me cuido por você”. Eu comecei a entrar em contato com pessoas que já tinha fotografado e passei a dirigir ensaios via FaceTime. As pessoas não podiam sair de casa, mas ainda precisavam se comunicar, existir, se posicionar. E ali eu entendi algo muito forte: a fotografia não depende da presença física, ela depende da sensibilidade de quem conduz. Uma das imagens que mais me marcou foi a da pessoa olhando pela janela, com o reflexo no vidro, encarando a cidade que ela não podia viver naquele momento. Aquilo não era só uma foto era contexto, emoção e verdade. Esse período reforçou o que eu acredito até hoje: quando existe propósito, a imagem acontece. O resto é ferramenta.
Se você pudesse resumir em uma frase o que separa uma imagem comum de uma imagem que transforma carreiras, qual seria?
Uma imagem comum mostra como você é. Uma imagem estratégica faz o mundo entender por que você deve ser escolhido.

Trumpas segue atuando como fotógrafo e influenciador digital, com um portfólio que reúne marcas, executivos e celebridades de projeção nacional e internacional. Sua convicção, expressa em cada ensaio que assina, é que a imagem certa não embelleza, ela posiciona. Esta entrevista foi publicada na edição 3 da revista Portal Pulsar Brasil Negócios, com distribuição digital em pulsarbrasil.com.
Esta entrevista faz parte da Série Negócios do Portal Pulsar Brasil, um projeto editorial dedicado a brasileiros que constroem, fora do Brasil, trajetórias que vale a pena contar. Não são histórias de sorte. São histórias de escolha, método e posicionamento.
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