O financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), a redução das filas para consultas e cirurgias e a ampliação do acesso a medicamentos figuram entre os temas centrais do debate eleitoral. Para endereçar esses desafios, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentam diretrizes com diferentes ênfases, embora compartilhem objetivos tecnológicos comuns.
Enquanto o atual governo aposta na continuidade e expansão de programas federais consolidados, como o Mais Médicos e o Farmácia Popular, a oposição foca na revisão da remuneração de prestadores de serviço e no uso de estratégias digitais para otimizar o fluxo de pacientes. Ambos os candidatos convergem na necessidade de digitalizar serviços, unificar prontuários e aplicar inteligência artificial na regulação do sistema.
Digitalização e inteligência artificial na gestão do sistema
A modernização tecnológica é um pilar presente nos dois planos de governo. Lula propõe acelerar a consolidação do prontuário único por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), visando integrar informações da atenção básica à vigilância em saúde. A meta é permitir que o cidadão acesse resultados de exames e agendamentos diretamente pelo celular, facilitando a continuidade do cuidado entre diferentes unidades.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, defende a vinculação do prontuário eletrônico ao Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e sua integração à plataforma Gov.br. O candidato propõe ainda a integração de dados entre as redes pública e privada, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A ideia central é utilizar algoritmos para agilizar o encaminhamento de pacientes à primeira vaga disponível na rede.
Especialistas alertam que a tecnologia, embora promissora, enfrenta barreiras estruturais. Julia Pereira, do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), aponta que a gestão das filas é descentralizada entre estados e municípios, o que fragmenta a execução de uma “fila única”. Segundo a pesquisadora, a integração de dados da rede privada com o SUS também esbarra em desafios comerciais e de segurança da informação.
Estratégias para assistência farmacêutica e medicamentos
No campo da assistência farmacêutica, Lula reafirma o compromisso com o programa Farmácia Popular, priorizando a gratuidade dos medicamentos e a ampliação de pontos de retirada em áreas periféricas. O plano petista sugere ainda a inclusão de exames laboratoriais e testes de diagnóstico para doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, dentro da estrutura do programa.
A análise técnica das propostas foi conduzida por organizações como a ACT Promoção da Saúde e o IEPS, que avaliaram os projetos de forma cega durante o primeiro turno. O objetivo foi fornecer um panorama técnico sobre a viabilidade das medidas, considerando aspectos como financiamento, atenção primária e recursos humanos, fundamentais para a sustentabilidade do SUS a longo prazo. Mais detalhes sobre as avaliações podem ser conferidos no portal VEJA SAÚDE.