Uma boa risada pode estar relacionada a mais do que momentos de descontração. Pesquisadores vêm investigando a relação entre a frequência das risadas, fatores psicológicos e a saúde cardiovascular, com resultados que sugerem uma possível associação entre esses elementos.
Um dos estudos mais amplos sobre o tema analisou 17.152 pessoas com 40 anos ou mais no Japão e acompanhou os participantes por aproximadamente cinco anos. Os pesquisadores observaram que pessoas que relatavam rir com menor frequência apresentavam maior incidência de doenças cardiovasculares e maior mortalidade durante o período analisado. (PubMed)
Outro estudo, realizado com mais de 20 mil adultos japoneses com 65 anos ou mais, encontrou uma associação entre baixa frequência de risadas e maior prevalência de doenças cardíacas. Mesmo após ajustes para fatores como hipertensão, colesterol, depressão e índice de massa corporal, a relação permaneceu presente. (PubMed)
Experimentos menores também investigaram o que acontece no organismo durante uma situação de humor. Em um estudo publicado no American Journal of Cardiology, 17 adultos assistiram a uma comédia ou a um documentário em ocasiões diferentes. Após assistir à comédia, os participantes apresentaram melhora temporária em medidas relacionadas à função vascular. (PubMed)
Apesar dos resultados, os pesquisadores não afirmam que rir seja um tratamento para doenças cardiovasculares. Estudos observacionais não conseguem determinar, sozinhos, que a falta de risadas provoque problemas no coração. Pessoas que riem mais frequentemente também podem apresentar diferenças em estilo de vida, relações sociais e saúde mental.
Ainda assim, as pesquisas reforçam o interesse científico pelos efeitos das emoções positivas sobre o organismo e mostram que aspectos aparentemente simples da rotina podem estar relacionados ao bem-estar físico e emocional.