Em sua quinta edição consecutiva, o Prêmio Autocuidado em Saúde ACESSA consolidou-se como uma vitrine para projetos que buscam transformar o letramento e a conscientização da população sobre o próprio bem-estar. A seleção dos finalistas deste ano foi conduzida por um júri técnico que avaliou critérios como abrangência, relevância, inovação e o uso estratégico de tecnologias para a promoção da saúde.
Os trabalhos selecionados representam esforços de diversas regiões do país, focados em democratizar o acesso a cuidados especializados. Os vencedores serão conhecidos em 17 de novembro, durante uma cerimônia presencial em Brasília (DF).
Soluções digitais e tecnologias inovadoras no monitoramento da saúde
Entre os destaques, a plataforma Vigilantes, da Galileu, utiliza inteligência artificial para tratar a insônia. O sistema, baseado em terapia cognitivo-comportamental, utiliza uma assistente virtual para guiar mudanças de hábitos. Com a análise de mais de 1 milhão de diários de sono, a ferramenta demonstrou 48% de remissão da insônia e também incorpora o rastreamento de apneia do sono com 90% de precisão.
Outra iniciativa de impacto é o Kdoctor 4.0, um sistema de telemedicina projetado para comunidades isoladas em Jordão, no Acre. O projeto utiliza cabines autossustentáveis, alimentadas por energia solar e conexão via satélite, para levar atendimento médico a populações ribeirinhas e indígenas. O sistema inclui tradução para o idioma Hãtxa Kuin e transcrição automática de consultas, superando barreiras geográficas e linguísticas.
A Oncoclothes também se destaca ao integrar tecnologia ao vestuário. O projeto utiliza roupas com sensores embutidos para monitorar temperatura, oxigenação e batimentos cardíacos de pacientes crônicos ou oncológicos. Os dados são enviados a um aplicativo, permitindo que médicos e pacientes recebam alertas em tempo real sobre alterações clínicas, reduzindo a necessidade de reinternações.
Programas de prevenção e promoção da autonomia
No campo da prevenção, o Programa Multidimensional e Assistencial de Gestão para Idosos Caidores (Magic), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), aborda um desafio crítico de saúde pública. O projeto foca no treinamento físico de idosos que já sofreram quedas, capacitando-os a se levantarem com segurança e reduzindo o risco de complicações graves.
A iniciativa, que já atendeu 120 participantes em São Carlos e Ibaté, propõe um protocolo de 16 semanas de exercícios. O objetivo é fortalecer a autonomia dessa parcela da população, que enfrenta nas quedas uma das principais causas de morte por lesão após os 65 anos. O trabalho reforça a importância de intervenções práticas que integram o autocuidado ao cotidiano dos pacientes.