O câncer de mama, embora amplamente associado ao público feminino, também afeta homens e apresenta um desafio clínico significativo: a tendência de diagnósticos em estágios mais avançados. Dados da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), baseados em registros do Instituto Nacional de Câncer (Inca), revelam que a doença é frequentemente detectada quando já apresenta maior gravidade, o que impacta diretamente as opções terapêuticas e o prognóstico dos pacientes.
Desafios no diagnóstico e estadiamento da doença
Entre 2020 e 2023, foram registrados mais de 163 mil casos de câncer de mama no Brasil, sendo 2.126 em homens. O estadiamento, que classifica a extensão do tumor de 0 a IV, aponta que 62,29% dos casos masculinos concentram-se nos estágios III e IV. A disparidade é notável no estágio IV, caracterizado pela metástase, que atinge 29,95% dos homens diagnosticados, superando a proporção observada entre as mulheres.
Especialistas apontam que o desconhecimento sobre a possibilidade de homens desenvolverem a patologia é o principal fator para a demora na busca por atendimento médico. Como o tecido mamário masculino é reduzido, tumores podem atingir estruturas adjacentes, como pele e músculos, com maior rapidez. Sintomas como caroços, secreções mamilares ou alterações na pele do peito exigem investigação imediata por profissionais de saúde.
Tratamento e perspectivas de sobrevida
A abordagem terapêutica para o câncer de mama masculino segue protocolos similares aos aplicados em mulheres, com a cirurgia como pilar principal para casos localizados. Dependendo das características biológicas do tumor, o tratamento pode ser complementado com quimioterapia, radioterapia e terapia hormonal. A radioterapia, em particular, desempenha um papel crucial no pós-operatório para minimizar o risco de recidiva local.
Apesar do diagnóstico tardio, a medicina oferece possibilidades eficazes de controle. A sobrevida relativa em cinco anos para homens supera 80% em todos os estágios, podendo ultrapassar 95% quando a doença é identificada precocemente. O sucesso do tratamento está intrinsecamente ligado à rapidez com que o paciente acessa o sistema de saúde após notar qualquer anormalidade na região torácica.
Rastreamento e prevenção em diferentes faixas etárias
O cenário do câncer de mama também exige atenção entre as mulheres, especialmente as mais jovens. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) indicou que, entre pacientes de até 39 anos, a maioria recebe o diagnóstico em estágios mais avançados, reforçando a necessidade de investigar alterações persistentes independentemente da idade. Para a população geral, as diretrizes médicas recomendam o início do rastreamento por mamografia a partir dos 40 anos.
Para aqueles com histórico familiar ou predisposição genética, o acompanhamento deve ser individualizado e, por vezes, iniciado precocemente. A conscientização sobre os fatores de risco, que incluem obesidade e alterações hormonais, é fundamental para a detecção precoce. Informações detalhadas sobre as estimativas de incidência da doença no país podem ser consultadas no portal oficial do Instituto Nacional de Câncer.