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A Disciplina Que Constrói A Excelência

Excelência não nasce do acaso. Ela é fruto de repetição silenciosa, rigor técnico e da decisão diária de escolher o caminho mais exigente. Na cirurgia plástica facial, onde milímetros definem resultados e naturalidade é sinônimo de sofisticação, poucos profissionais conseguem transformar precisão em identidade.

Aos 42 anos, Dr. Matheus Masson construiu mais do que uma trajetória sólida. Construiu uma filosofia. Com base na cirurgia reconstrutiva oncológica, formação internacional e domínio de técnicas avançadas, ele representa uma geração de cirurgiões que compreende a estética como responsabilidade, ciência e arte.

Nesta entrevista à Revista Pulsar, ele compartilha os bastidores de uma carreira marcada por disciplina, autocrítica e busca contínua por aperfeiçoamento, revelando que a verdadeira excelência é um processo interno antes de se tornar reconhecimento externo.

Sua trajetória começou na cirurgia reconstrutiva, em um dos maiores centros de cirurgia oncológica da América Latina. Como essa base moldou sua forma de operar hoje?

Minha formação no INCA foi determinante. Foi uma escolha consciente, longe do glamour idealizado da especialidade, lidando com pacientes oncológicos, cirurgias complexas e plantões noturnos dentro do Instituto.

Ali você aprende que cada milímetro importa e que a anatomia não perdoa descuidos. Lidamos com reconstruções complexas, perdas de tecido, situações em que o impacto na vida do paciente é enorme. Na plástica reconstrutiva, ligar ou preservar um vaso sanguíneo de milímetros determina o destino de um paciente.

Isso cria um respeito profundo pela anatomia.

Quando migrei para a estética facial, levei essa mentalidade. Não é sobre esticar ou elevar, é sobre compreender profundamente estruturas, vetores, ligamentos e limites biológicos.

A reconstrução forma cirurgiões mais conscientes.

O Deep Plane é visto como uma das técnicas mais desafiadoras da cirurgia facial, e atualmente você se tornou referência. O que essa escolha revela sobre seu perfil profissional?

Minha escolha por ela reflete minha filosofia: buscar o que entrega resultado eficiente e duradouro, mesmo que o caminho seja mais exigente.

O Deep Plane exige coragem técnica e humildade anatômica. Não permite atalhos. Ou você domina profundamente ou não deve fazer. A liberação do plano profundo é realizada em meio a nervos intocáveis e vasos nobres.

Busquei formação prática fora do Brasil quando o Deep Plane ainda era pouco difundido aqui.

Muito se fala sobre o seu “toque de arte”. O que diferencia sua abordagem dos demais profissionais que também executam essa técnica no Brasil?

A técnica por si só não é o que diferencia um cirurgião é a forma como você a aplica em cada pessoa. Eu procuro entender a história daquela face, o momento de vida da paciente, o que ela deseja preservar da própria identidade. Isso muda completamente o planejamento.

Minha base reconstrutiva me ensinou a ter profundo respeito pela anatomia e pelas estruturas que sustentam a expressão de cada indivíduo. Não se trata apenas de reposicionar tecidos, mas de manter coerência estética e naturalidade.

Busco resultados que façam sentido para aquela pessoa, para sua trajetória e para a imagem que ela reconhece no espelho. A verdadeira arte está em rejuvenescer sem apagar a história.

Qual foi o momento exato em que você percebeu que não queria ser apenas um cirurgião técnico, mas construir uma marca com identidade própria dentro da cirurgia plástica facial, hoje já reconhecida por veículos como Forbes e Valor Econômico?

A virada não aconteceu de uma vez. Foi gradual.

Quando comecei a atuar com cirurgia facial de alta complexidade, percebi que um resultado bonito isolado não constrói uma trajetória sólida. O que constrói é filosofia, consistência e responsabilidade com cada detalhe.

A marca acabou surgindo como consequência de uma mentalidade: disciplina diária, autocrítica constante e busca por naturalidade. Nunca foi sobre marketing; foi sobre identidade profissional.

Com o tempo, isso se transformou em posicionamento. As pessoas começaram a associar meu nome a um tipo de resultado, a uma ética, a um padrão de cuidado. A marca nasceu dessa coerência entre discurso e prática. Fortaleço essa marca para atrair os pacientes corretos, que se conectem com essa filosofia.

A naturalidade é um dos pilares do seu discurso. Como equilibrar expectativa do paciente, identidade individual e limite ético?

Naturalidade exige mais técnica do que exagero e é muito mais complexa. Trata-se de preservar identidade e restaurar o que o tempo levou.

Parte importante do meu trabalho é educar o paciente sobre limites anatômicos e possíveis resultados. Nem tudo o que é desejado é possível, e nem tudo o que é possível é indicado. Sair dessa linha tênue e forçar a barra para tentar “tracionar ou elevar mais” traz consequências desastrosas.

Elegância atravessa o tempo. Exagero denuncia intervenção. Esse é o toque de arte.

Em breve você embarca para mais uma temporada de estudos na Universidade de Medicina de St. Louis, no Missouri. O que ainda motiva essa busca constante por aprendizado e o que essas imersões representam para você, mesmo com uma carreira consolidada e prática diária da técnica?

Eu me provoco diariamente, mas essas imersões são momentos em que realmente me coloco à prova. Há dez anos mantenho essa prática de sair e estar diante de grandes cirurgiões, observar, comparar e entender como está a minha técnica e como estão meus resultados é um termômetro honesto.

Nos estudos em cadáveres, por exemplo, eu tento ir além dos meus próprios limites. É ali que me confronto de verdade, revisitando cada detalhe anatômico e refinando movimentos. Mesmo já dominando a técnica, sempre volto com algo novo na bagagem.

A medicina é dinâmica demais para permitir acomodação. Se existe conhecimento novo sendo desenvolvido, eu quero estar próximo, aprendendo e trazendo isso para a minha prática.

Você foi um dos pioneiros na integração da videocirurgia ao Deep Plane. Como a tecnologia elevou seu padrão cirúrgico e quais ganhos reais o paciente percebe no pós-operatório?

A videocirurgia ampliou minha visão anatômica de forma significativa.

Ela permite identificar estruturas com mais precisão e reduzir traumas desnecessários. Isso se traduz em recuperação mais organizada e refinamento de resultado.

Mas tecnologia, para mim, não é marketing. É ferramenta de responsabilidade. Só faz sentido quando melhora segurança e previsibilidade.

Sua disciplina é frequentemente citada como parte do seu sucesso. Como é sua rotina fora do centro cirúrgico?

Minha rotina começa cedo. Acordo todos os dias antes das cinco da manhã, oro, medito e treino. Preciso desse momento de silêncio comigo mesmo. É ali que organizo os pensamentos, fortaleço a mente e me preparo para as decisões do dia.

Alta performance, para mim, começa no autocuidado e na clareza mental. A mente precisa estar tão preparada quanto as mãos.

Entre a sua busca intensa por excelência e a sua vida em família, como você encontra equilíbrio?

Vivo um desequilíbrio consciente. Há dias em que a cirurgia me consome, em que estudo, viajo e chego exausto. Mas tudo isso tem um propósito muito claro: minha família.

Minhas filhas já entendem que meu trabalho traz responsabilidade, propósito e também a oportunidade de cuidar de muitas pessoas. Elas crescem vendo o valor do esforço, da disciplina e da dedicação. Ao mesmo tempo, são elas e minha esposa que me lembram quem eu sou além do cirurgião são meu ponto de retorno, meu chão.

Não consigo me desligar 100% da profissão, pois ela faz parte de mim. Mas, nos momentos de descanso, esforço-me para estar verdadeiramente presente e busco viajar para desconectar ao máximo da rotina. No fim, é isso que dá sentido à busca por excelência: ter com quem compartilhar a jornada.

Você se tornou inspiração para jovens cirurgiões, tendo em vista sua idade e os marcos que já conquistou. Qual seria seu conselho para quem busca uma carreira em cirurgia plástica?

Eu diria que cirurgia plástica não é sobre status; é sobre base sólida. Antes da estética, vem a reconstrução, o respeito absoluto à anatomia e à segurança do paciente.

Para quem está começando, deixo três pilares: encare portas fechadas e críticas como impulso, siga sempre seus princípios e lute contra você mesmo. A comparação não deve ser com o colega ao lado, mas com a sua versão de ontem.

Disciplina diária, humildade para aprender e coragem para evoluir são inegociáveis. O reconhecimento é consequência de anos de entrega silenciosa. A resiliência é o que mantém você no jogo.

Em uma carreira de alta performance, como no ringue, você precisa estar pronto todos os dias.

Ao final da conversa, fica claro que a trajetória de Dr. Matheus Masson não é construída sobre atalhos, mas sobre convicções. Sua busca constante por aprimoramento, o respeito absoluto à anatomia e a defesa inegociável da naturalidade revelam que, para ele, excelência não é um destino alcançado, mas uma decisão renovada todos os dias.

Entre centro cirúrgico, estudos internacionais e a vida em família, ele sustenta uma filosofia que ultrapassa a técnica. Trata-se de disciplina silenciosa, responsabilidade ética e compromisso com resultados que atravessam o tempo.

Em um mercado onde a velocidade muitas vezes tenta substituir a profundidade, Masson escolhe permanecer no caminho mais exigente. Porque, para quem entende a cirurgia como arte e ciência, a verdadeira marca não está apenas no nome, mas na coerência entre propósito, prática e legado.

Foto: @eubernardocoelho
Produção: @makeupsuelenalmeida

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