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Ansiedade ou tireoide? Os sintomas que se confundem e o exame que a maioria nunca pediu

Foto/ Reprodução: Internet

Coração acelerado, insônia, irritabilidade sem motivo aparente, sensação constante de agitação, dificuldade de concentrar, cansaço que não passa nem com descanso. O conjunto de sintomas leva a maioria das pessoas direto para um diagnóstico de ansiedade. O tratamento começa, às vezes funciona parcialmente, às vezes não funciona. O que raramente acontece é alguém perguntar se a tireoide foi avaliada.

A glândula tireoide, localizada na base do pescoço, produz hormônios que regulam o metabolismo de praticamente todos os sistemas do organismo: frequência cardíaca, temperatura corporal, funcionamento intestinal, humor, ciclo menstrual, peso, energia. Quando ela produz hormônios em excesso, condição chamada hipertireoidismo, o corpo entra num estado de aceleração que imita com precisão um quadro ansioso. Quando produz de menos, o hipotireoidismo, o resultado pode ser depressão, fadiga intensa, ganho de peso e lentidão cognitiva que se confundem facilmente com transtornos do humor.

O problema é que os dois cenários são tratados de formas completamente diferentes. Ansiedade responde a psicoterapia, manejo do estresse e, quando necessário, medicação específica. Disfunção tireoidiana responde a reposição hormonal ou supressão da produção, dependendo do caso. Tratar ansiedade quando o problema é a tireoide é tratar o sintoma sem tocar na causa.

A prevalência de doenças da tireoide no Brasil é alta e subdiagnosticada. Estimativas indicam que cerca de 10% da população brasileira tem alguma disfunção tireoidiana, e uma parcela significativa desconhece o diagnóstico. Mulheres são afetadas com muito mais frequência que homens, numa proporção que varia entre cinco e dez vezes dependendo da condição específica. A Hashimoto, doença autoimune que leva ao hipotireoidismo, é uma das condições mais comuns e uma das mais frequentemente descobertas tarde.

O exame que avalia a função tireoidiana é simples, barato e acessível: o TSH, hormônio tireoestimulante, é dosado por um exame de sangue de rotina. Quando alterado, complementa-se com T3 e T4 livres para ter o quadro completo. Não é um exame obscuro nem de difícil acesso. É um exame que simplesmente não é pedido com a frequência que deveria, especialmente em pessoas que chegam ao consultório com queixas inespecíficas de humor e energia.

O nó está justamente na inespecificidade dos sintomas. Cansaço, irritabilidade, alterações de peso e dificuldade de concentração são queixas que se encaixam em dezenas de diagnósticos diferentes. O médico de atenção primária que atende em tempo restrito tende a seguir o caminho mais provável estatisticamente, que frequentemente aponta para ansiedade ou depressão antes de investigar a tireoide. Não é negligência na maioria dos casos. É o efeito de uma triagem que prioriza o mais comum sem considerar o que é facilmente descartável com um único exame.

Para quem convive com sintomas que não respondem completamente ao tratamento de ansiedade ou depressão, ou que surgem de forma relativamente abrupta sem fator desencadeante claro, vale a conversa direta com o médico sobre avaliação tireoidiana. A pergunta certa no momento certo pode encurtar em meses ou anos um caminho de diagnósticos parciais e tratamentos que aliviam sem resolver.

A tireoide raramente aparece no radar de quem está sofrendo. Mas quando é ela o problema, nenhuma técnica de respiração vai normalizar o TSH.

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