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Sociedades médicas pedem proibição de implantes hormonais manipulados no Brasil

Sociedades médicas pedem proibição de implantes hormonais manipulados no Brasil
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Doze sociedades médicas brasileiras uniram forças para solicitar a proibição imediata dos implantes hormonais manipulados. O posicionamento, divulgado durante o 20º Congresso Mundial de Menopausa, reflete a preocupação crescente da classe médica com o uso indiscriminado desses dispositivos, frequentemente associados a promessas estéticas e de bem-estar sem respaldo científico.

Os dispositivos, popularmente conhecidos como chip da beleza, costumam conter substâncias como testosterona, gestrinona e estradiol. Embora sejam comercializados sob a promessa de alívio de sintomas do climatério, ganho de massa muscular, emagrecimento e aumento da libido, especialistas alertam para a ausência de dados que comprovem a segurança e a eficácia dessas formulações.

Riscos e falhas dos implantes hormonais

O principal perigo reside na natureza do dispositivo, que libera hormônios continuamente por meses. Caso a paciente apresente efeitos adversos, não é possível interromper a administração ou ajustar a dose prontamente, como ocorre com géis, cremes ou adesivos. Essa característica torna o uso desses produtos um risco à saúde, especialmente quando envolvem esteroides anabolizantes.

Os efeitos colaterais relatados em consultórios incluem acne, hirsutismo, engrossamento da voz e aumento do risco cardiovascular. As entidades médicas reforçam que o atendimento a mulheres com complicações decorrentes do uso desses implantes tornou-se uma rotina preocupante, evidenciando que a prática extrapola o uso terapêutico seguro.

Falta de regulação e evidências científicas

Diferente de medicamentos registrados, os implantes hormonais manipulados não passam por estudos rigorosos de eficácia, pureza ou biodisponibilidade. A produção em farmácias de manipulação aproveita brechas regulatórias, permitindo que produtos sem garantia de uniformidade entre lotes cheguem ao mercado. Segundo as sociedades, esses itens não possuem equivalência com fármacos aprovados pela Anvisa.

A nota técnica enfatiza que a medicina não é contra a reposição hormonal, desde que realizada com substâncias e vias de administração validadas. O uso de estrogênio, por exemplo, é reconhecido para o alívio de sintomas da menopausa, enquanto a testosterona possui indicação restrita para o transtorno do desejo sexual hipoativo. O problema central é a experimentação sem evidências em pacientes que buscam longevidade ou resultados estéticos.

Exigência de fiscalização e responsabilização

Diante do cenário atual, as entidades signatárias, incluindo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), exigem medidas enérgicas. O pedido inclui o fortalecimento da fiscalização e a responsabilização das cadeias comerciais envolvidas na fabricação e venda desses produtos.

Embora o uso de anabolizantes em implantes já enfrente restrições teóricas, a manipulação sob o pretexto de prescrição individualizada tem servido como subterfúgio. Os médicos reiteram que a autonomia do profissional não deve ser confundida com a prática de procedimentos experimentais que colocam a integridade física das pacientes em xeque.

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