O cenário da aviação brasileira perdeu uma de suas vozes mais influentes nesta quinta-feira (1º). Joselito Geraldo de Sousa, conhecido nacionalmente como Lito Sousa, faleceu aos 59 anos. O especialista, que se tornou referência ao desmistificar o funcionamento das aeronaves e tranquilizar passageiros, enfrentava um quadro de saúde complexo, marcado pelo diagnóstico de câncer de próstata e da rara doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).
A notícia do falecimento foi confirmada por sua esposa, a empresária Mila Seidl, por meio de um comunicado nas redes sociais. Em uma mensagem marcada pela emoção, Seidl destacou o impacto da trajetória de Lito, que dedicou décadas a tornar o universo aeronáutico acessível ao público leigo. “O Brasil inteiro te ama porque você deixou a gente mais seguro para seguir viagem”, afirmou em nota.
Trajetória e impacto na aviação brasileira
Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, Lito Sousa construiu uma carreira sólida como piloto e mecânico de aviões, acumulando mais de 35 anos de experiência técnica. Sua transição para o ambiente digital consolidou seu nome como um dos maiores divulgadores do setor no país. O canal “Aviões e Músicas”, criado por ele, alcançou a marca de 4,2 milhões de inscritos, servindo como uma fonte confiável de informação e entretenimento.
Além da produção de conteúdo para a internet, Lito expandiu sua atuação com o curso “Sem Medo de Voar”, focado em ajudar pessoas a superarem a fobia de viagens aéreas. Ao lado de sua esposa, ele também fundou a Lito Academy, consolidando um ecossistema de consultoria e educação. Sua experiência internacional, incluindo passagens profissionais pela República Democrática do Congo, foi registrada na obra literária “Onde Morrem os Aviões”, que detalha os bastidores da manutenção aeronáutica em condições extremas.
A complexidade da doença de Creutzfeldt-Jakob
O quadro de saúde que levou ao falecimento de Lito Sousa envolveu a doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição neurológica rara, progressiva e fatal. Segundo o Ministério da Saúde, a enfermidade é classificada como uma doença priônica, caracterizada pela degeneração do sistema nervoso central. Os sintomas iniciais podem variar, manifestando-se frequentemente por alterações cognitivas ou problemas motores, como a dormência relatada pelo influenciador no início de seu diagnóstico.
A patologia está ligada aos príons, partículas proteicas infecciosas que não possuem material genético. Descobertos em 1982 pelo neurologista Stanley B. Prusiner, laureado com o [Nobel de Medicina](https://saude.abril.com.br/coluna/futuro-do-diabete/nobel-medicina-2025-diabetes-tipo-1-terapias-imunologicas/), os príons desafiam a biologia convencional. Em condições raras, essas proteínas sofrem um dobramento anormal, acumulando-se no cérebro e desencadeando um processo de destruição celular irreversível.
Desafios científicos e prognóstico
A ciência ainda busca compreender plenamente os mecanismos que levam à transformação dos príons em agentes infecciosos. Atualmente, a doença de Creutzfeldt-Jakob não possui cura, e o manejo clínico é focado exclusivamente em cuidados paliativos para mitigar o sofrimento do paciente. Devido à sua natureza agressiva, a taxa de letalidade da condição é extremamente elevada, atingindo cerca de 90% dos casos em um período de até um ano após a manifestação dos primeiros sintomas.