Um novo estudo conduzido por cientistas brasileiros trouxe avanços importantes na compreensão da dor crônica causada pela endometriose, condição que afeta cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade fértil. Segundo os pesquisadores, a genética pode ter um papel fundamental na intensidade e persistência da dor sentida pelas pacientes.
Publicado recentemente em uma revista científica internacional, o estudo analisou o DNA de mulheres diagnosticadas com endometriose e identificou alterações genéticas ligadas a processos inflamatórios e sensibilidade à dor. Essas variações podem explicar por que algumas mulheres sentem dores incapacitantes, enquanto outras apresentam sintomas mais leves mesmo com lesões semelhantes.
A pesquisa foi conduzida por especialistas da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com outros centros de estudo do Brasil, e reforça a ideia de que a endometriose não é uma doença única, mas sim uma condição multifatorial com influências hormonais, imunológicas e genéticas.
“Entender o papel da genética pode ajudar a desenvolver abordagens mais personalizadas no tratamento da dor. Isso é um passo importante para melhorar a qualidade de vida dessas mulheres”, afirma a Dra. Mariana Fagundes, ginecologista envolvida no estudo.
Atualmente, a endometriose ainda é de difícil diagnóstico com uma média de 7 a 10 anos até a identificação correta e pode afetar órgãos como ovários, trompas, intestino e bexiga, provocando dor pélvica, cólicas menstruais severas, dor durante as relações sexuais e até infertilidade.
O avanço da pesquisa genética promete abrir portas para novas terapias, além de contribuir para a desestigmatização da dor feminina, que muitas vezes é subestimada ou ignorada.