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Sentir Raiva Ao Ouvir Alguém Mastigando Pode Ser Um Transtorno Psiquiátrico Real, Alertam Especialistas

A cena é comum: alguém mastiga de forma ruidosa ao seu lado e, de repente, surge uma irritação desproporcional. Para muitos, pode parecer apenas frescura ou intolerância, mas especialistas afirmam que esse incômodo extremo tem nome e pode ser um transtorno real: misofonia.

Segundo médicos psiquiatras, a misofonia é caracterizada por uma resposta emocional intensa e negativa a determinados sons repetitivos, como mastigação, respiração alta, clique de canetas ou até mesmo digitar no teclado. “O cérebro dessas pessoas interpreta esses sons como ameaçadores ou insuportáveis, gerando raiva, ansiedade e até ataques de pânico em alguns casos”, explica o psiquiatra Dr. Ricardo Menezes.

Impacto no dia a dia

Quem sofre com a condição pode enfrentar dificuldades em ambientes sociais, familiares e de trabalho. Um simples jantar em grupo pode se transformar em um enorme desafio, levando à evitação de convívios sociais para não se expor aos gatilhos sonoros.

A neurologista Dra. Fernanda Albuquerque, pesquisadora de distúrbios sensoriais, reforça que a misofonia vai além da “implicância”. “Exames de imagem mostram alterações em áreas cerebrais ligadas à regulação emocional. Ou seja, não é apenas uma questão de tolerância, mas uma disfunção real no processamento de certos sons”, destaca.

Diagnóstico e tratamento

Apesar de ainda não estar listada oficialmente em todos os manuais psiquiátricos, cada vez mais especialistas reconhecem a misofonia como um quadro clínico que merece atenção. O tratamento pode incluir terapia cognitivo-comportamental, técnicas de dessensibilização a estímulos sonoros e, em alguns casos, o uso de medicamentos para controle da ansiedade associada.

O Dr. Menezes ressalta que buscar ajuda é fundamental: “Quando o incômodo passa a atrapalhar a qualidade de vida e os relacionamentos, não é mais apenas uma irritação comum. É hora de procurar avaliação médica e psicológica.”

Um transtorno ainda pouco conhecido

Embora a misofonia tenha sido descrita pela primeira vez no início dos anos 2000, ainda há muito a ser estudado sobre sua origem e prevalência. Para especialistas, o aumento das discussões em torno do tema é positivo, já que ajuda a reduzir o estigma de quem sofre com a condição e frequentemente é taxado de “exagerado” ou “intolerante”.

Assim, aquele incômodo aparentemente banal ao ouvir alguém mastigando pode ser, na verdade, o reflexo de um transtorno psiquiátrico legítimo e merece atenção e cuidado.

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