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O que a privação de sono na primeira infância compromete no cérebro que está sendo construído

Foto/ Reprodução: Internet

Bebê que não dorme, mãe que não dorme, família inteira que funciona no limite. A privação de sono nos primeiros anos de vida é tratada como fase, como algo que passa, como parte do pacote da parentalidade. O que raramente entra nessa conversa é o que acontece com o cérebro da criança que dorme mal de forma consistente durante o período em que esse cérebro está sendo construído.

O sono na primeira infância não é passivo. É o momento em que o cérebro em desenvolvimento consolida o que aprendeu, organiza circuitos neurais, fortalece conexões que vão sustentar linguagem, memória, regulação emocional e atenção. Os primeiros três anos de vida representam o período de maior plasticidade cerebral da existência humana, quando o número de conexões neurais cresce em velocidade nunca mais repetida. Interromper ou comprometer o sono nessa janela não é neutro.

Estudos longitudinais que acompanham crianças desde o nascimento mostram associações entre privação de sono na primeira infância e dificuldades posteriores de atenção e concentração, comportamentos mais impulsivos, maior irritabilidade e menor capacidade de regular emoções. Algumas pesquisas apontam também para impacto no desenvolvimento da linguagem e nas habilidades cognitivas avaliadas na entrada da escola.

O mecanismo é parcialmente o mesmo do adulto, mas com consequências potencialmente mais duradouras justamente porque o cérebro infantil está em formação. O cortisol elevado pela privação de sono afeta estruturas que ainda estão amadurecendo. O hipocampo, central para memória e aprendizado, é especialmente sensível a esse ambiente hormonal durante os primeiros anos.

Isso não significa que toda noite difícil deixa sequelas. O cérebro infantil tem capacidade de recuperação notável e não é frágil. O que preocupa é o padrão crônico, a criança que dorme consistentemente pouco ou mal por meses, cujas fases do sono são regularmente interrompidas, que acorda com frequência sem conseguir retornar ao sono profundo.

Para os pais, a informação mais útil não é a culpa, que já existe em excesso na parentalidade contemporânea, mas o entendimento de que o sono da criança merece a mesma atenção que a alimentação e o desenvolvimento motor. Quando os problemas de sono persistem e resistem às tentativas habituais de manejo, a avaliação com pediatra ou especialista em sono infantil é um passo que faz diferença concreta, tanto para a criança quanto para toda a família que orbita ao redor de uma noite que não descansa ninguém.

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