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Infarto em mulheres: os sintomas que não aparecem nos filmes e o erro que custa caro

A barriga inchada depois das refeições, o desconforto que varia sem padrão claro, as idas frequentes ao banheiro ou a dificuldade oposta, a sensação de que comer virou um território incerto. Quem convive com sintomas digestivos crônicos conhece bem a peregrinação entre diagnósticos que explicam parcialmente e tratamentos que aliviam às vezes. O que menos acontece é chegar cedo ao diagnóstico correto.

A síndrome do intestino irritável e as intolerâncias alimentares compartilham sintomas que se sobrepõem de forma frustrante: distensão abdominal, dor, alteração do hábito intestinal, gases, náusea. Mas as causas são diferentes, os mecanismos são diferentes e, consequentemente, o tratamento é diferente. Confundir os dois não é apenas ineficiente: é o motivo pelo qual muitas pessoas restringem alimentos desnecessariamente por anos ou, no caminho oposto, continuam consumindo o que está causando o problema sem saber.

A síndrome do intestino irritável é um transtorno funcional, o que significa que o intestino funciona de forma diferente sem apresentar alteração estrutural visível em exames de imagem ou endoscopia. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios estabelecidos internacionalmente, e envolve a exclusão de outras condições. O intestino irritável responde a fatores como estresse, composição da microbiota, hipersensibilidade visceral e alimentação, mas não há uma causa única e o manejo é individualizado.

As intolerâncias alimentares, por outro lado, envolvem uma resposta do organismo a determinadas substâncias presentes nos alimentos. A intolerância à lactose, por exemplo, resulta da deficiência da enzima que digere o açúcar do leite. A intolerância ao glúten não celíaca produz sintomas gastrointestinais em resposta ao glúten sem o mecanismo autoimune da doença celíaca. Em ambos os casos, a identificação do gatilho e sua eliminação ou redução na dieta tende a resolver ou reduzir significativamente os sintomas.

O problema começa quando alguém com intestino irritável elimina lactose e glúten por conta própria, melhora parcialmente porque reduziu a carga digestiva de forma geral, e conclui que encontrou a causa. Ou quando alguém com intolerância alimentar real recebe o diagnóstico de intestino irritável e passa anos em manejo sintomático sem jamais identificar o alimento que está causando o problema.

A investigação adequada, feita com médico gastroenterologista e, quando necessário, com nutricionista especializado, consegue diferenciar os dois quadros com razoável precisão. Testes específicos, diário alimentar estruturado e protocolos de eliminação e reintrodução ajudam a mapear o que está acontecendo de verdade. O caminho é mais longo do que a exclusão por conta própria, mas chega a uma resposta que sustenta.

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