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A Luz Natural pela Manhã Pode Influenciar o Sono e o Relógio Biológico, Indica Pesquisa

Um hábito simples da rotina pode ter influência sobre o funcionamento do organismo ao longo do dia: a exposição à luz natural pela manhã. Pesquisas na área da cronobiologia indicam que a luminosidade recebida durante as primeiras horas do dia participa da regulação do relógio biológico, mecanismo responsável por organizar ciclos como sono, vigília e produção de determinados hormônios.

Um dos estudos que investigaram essa relação analisou dados de mais de 400 mil participantes do UK Biobank e encontrou associação entre maior tempo de exposição à luz durante o dia e melhores indicadores relacionados ao sono, ao humor e ao ritmo circadiano. Pessoas que passavam mais tempo expostas à luz natural apresentaram, por exemplo, menor frequência de sintomas de insônia e menor relato de cansaço frequente. (PMC)

A explicação está relacionada ao sistema circadiano, que utiliza informações sobre luminosidade e escuridão para ajustar o funcionamento do organismo às 24 horas do dia. A luz da manhã funciona como um importante sinal para esse sistema e pode ajudar o corpo a entender que o período de atividade começou.

Pesquisas experimentais também apontam nessa direção. Um estudo conduzido por Stephanie J. Crowley e Charmane I. Eastman, do Biological Rhythms Research Laboratory, da Rush University Medical Center, avaliou diferentes formas de exposição à luz intensa pela manhã. Os resultados mostraram que a luz matinal foi capaz de adiantar o ritmo circadiano dos participantes, efeito importante para pessoas que apresentam horários de sono atrasados. (PubMed)

Outro trabalho, realizado por Leon Lack, da Flinders University, acompanhou pessoas com dificuldade para iniciar o sono e observou que uma semana de exposição à luz intensa pela manhã esteve associada a mudanças no horário de início da produção de melatonina, além de melhora em parâmetros relacionados ao sono e ao funcionamento durante o dia. (DOI)

Os pesquisadores ressaltam, porém, que esses resultados não significam que simplesmente tomar alguns minutos de sol seja capaz de resolver problemas de sono. A resposta à luz depende de fatores como horário, intensidade da exposição, rotina individual e condições de saúde. Além disso, estudos diferentes utilizam protocolos distintos, incluindo equipamentos de fototerapia que produzem uma intensidade luminosa muito maior do que a iluminação comum de ambientes internos.

Ainda assim, os achados ajudam a explicar por que manter uma rotina regular de exposição à claridade durante o dia pode ser relevante para o relógio biológico. Em uma sociedade na qual muitas pessoas passam grande parte do dia em ambientes fechados e ficam expostas à iluminação artificial durante a noite, pesquisadores vêm estudando cada vez mais a influência do padrão de luz sobre o sono, o humor e outros aspectos da saúde.

Para quem apresenta insônia persistente, sonolência excessiva durante o dia ou alterações importantes no horário de sono, a recomendação é buscar avaliação profissional. A exposição à luz pode fazer parte de estratégias de cuidado em algumas situações, mas o tratamento deve considerar as características e necessidades de cada pessoa.

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