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Estudo aponta viabilidade de substituir canetas emagrecedoras por comprimidos

Estudo aponta viabilidade de substituir canetas emagrecedoras por comprimidos
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A transição de tratamentos injetáveis para opções orais no combate à obesidade tornou-se um tema central na endocrinologia moderna. Pesquisas recentes indicam que pacientes que utilizam canetas de semaglutida podem, sob orientação médica, realizar a migração para a versão em comprimido do medicamento, mantendo resultados positivos na perda de peso corporal.

Historicamente, a administração oral de moléculas como a semaglutida apresentava desafios técnicos significativos. Por serem peptídeos, ou seja, fragmentos de proteína, essas substâncias seriam facilmente degradadas pelo sistema digestório humano. A solução encontrada pela farmacêutica Novo Nordisk envolveu a tecnologia SNAC, um mecanismo que protege a integridade da molécula durante a passagem pelo trato gastrointestinal, permitindo sua absorção eficaz.

Evidências do estudo OCTANE sobre a troca de medicação

O estudo OCTANE, apresentado no Congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD 2026), analisou dados de 194 pacientes norte-americanos que realizaram a substituição das canetas pelos comprimidos de 25mg de semaglutida. Os participantes possuíam, em média, 45 anos e um índice de massa corpórea (IMC) inicial de 34,5.

Após um período de 3 meses de acompanhamento, os resultados demonstraram uma perda média de 4,1% do peso total. Além disso, 40,7% dos voluntários alcançaram uma redução de pelo menos 5% em sua massa corporal. A prevalência de obesidade grau 1 no grupo, que era de 87,1%, reduziu para 65,5% ao final da observação.

Satisfação e adesão ao tratamento oral

Além da eficácia clínica, o estudo avaliou a experiência dos pacientes com a nova forma de administração. Cerca de 75% dos participantes relataram satisfação com a mudança para a via oral, enquanto 86,7% mantiveram uma alta adesão ao uso diário do medicamento. Esses dados reforçam a viabilidade do comprimido como uma alternativa prática para quem busca continuidade no tratamento.

É importante ressaltar que os autores do estudo, incluindo a própria fabricante, apontam limitações nas evidências, como o curto período de acompanhamento e o uso de peso autorreferido. A ausência de um grupo de controle que permanecesse com as injeções impede uma comparação direta de superioridade entre as duas formas de aplicação.

Perspectivas para o mercado brasileiro

Atualmente, o comprimido de semaglutida para obesidade já está disponível em mercados como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Emirados Árabes Unidos. No Brasil, o processo de aprovação junto à Anvisa foi protocolado em janeiro de 2026.

A expectativa do setor de saúde é que a liberação do medicamento ocorra ainda ao longo de 2026. A chegada dessa alternativa oral representa um avanço na personalização do tratamento da obesidade, oferecendo uma opção que pode ser mais confortável para pacientes que apresentam resistência ou dificuldade com a aplicação subcutânea semanal.

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