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Anvisa fecha o cerco: as duas últimas canetas do Paraguai que ainda entravam no Brasil agora estão proibidas

Foto/ Reprodução: Internet

Gluconex e Tirzedral eram as últimas marcas de canetas emagrecedoras produzidas no Paraguai com autorização de importação para o Brasil. A partir desta semana, essa janela fechou. A Anvisa publicou na terça-feira, 14 de abril, no Diário Oficial da União a Resolução-RE nº 1.519, de 13 de abril de 2026, determinando a apreensão e proibindo a comercialização, distribuição, importação e o uso dos dois produtos.

A justificativa é a mesma que sustenta todas as proibições anteriores: os medicamentos não têm registro, notificação ou cadastro na Anvisa, foram produzidos por empresa não identificada e, sem esse vínculo regulatório, a agência não tem como garantir qualidade, procedência nem segurança do que está dentro de cada caneta.

A decisão encerra um movimento que se acelerou nos últimos meses. Desde novembro de 2025, a Anvisa vem derrubando sistematicamente todas as versões de tirzepatida e retatrutida vindas do Paraguai. A lista já inclui Tirzapep, da Royal Pharmaceuticals, TG 5, da Indufar, Synedica, Lipoless, da Éticos, Lipoland, TG, da Landerlan, e Tirzec, da Quimfa, entre outras. Com Gluconex e Tirzedral, o ciclo se completa: não resta nenhuma marca paraguaia autorizada.

O apelo por esses produtos, no entanto, não diminuiu na mesma proporção. As apreensões na fronteira entre Brasil e Paraguai cresceram quase 80% no início de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. Do lado paraguaio, o aumento da demanda gerou outro efeito: cresceram os assaltos a farmácias e depósitos de medicamentos, além de denúncias de falsificações envolvendo produtos com tirzepatida.

As consequências jurídicas para quem insistir no caminho informal são sérias. Importar e comercializar medicamentos sem registro na Anvisa configura crime previsto no artigo 273 do Código Penal, com pena de 10 a 15 anos de reclusão e multa, classificado como hediondo por equiparação. Mesmo quem traz uma unidade para uso pessoal pode responder por contrabando, com pena de dois a cinco anos. No início do mês, um médico foi preso em Minas Gerais transportando 25 canetas de tirzepatida apreendidas pela Polícia Federal na BR-365.

A tirzepatida, vale lembrar, é a substância por trás do Mounjaro, medicamento aprovado e registrado no Brasil pela Eli Lilly, com indicação para diabetes tipo 2 e obesidade. Ela age sobre dois receptores hormonais simultaneamente, o GLP-1 e o GIP, o que resulta em perda de peso de até 20% em alguns pacientes, índice superior ao das demais substâncias da mesma classe. O problema não está na substância, mas na origem: sem rastreabilidade, sem controle de qualidade e sem fabricante identificado, o risco do produto irregular é inteiramente do consumidor.

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