O Brasil acaba de dar um passo importante no combate ao HIV. A farmacêutica GSK lançou oficialmente no país o cabotegravir, primeiro medicamento injetável de longa duração para prevenção da infecção pelo vírus. Comercializado sob o nome Apretude, o fármaco começou a ser vendido em farmácias privadas nesta segunda-feira (25/8), com a distribuição realizada pela empresa Oncoprod.
Aprovado pela Anvisa em 2023, o cabotegravir funciona de forma semelhante à já conhecida profilaxia pré-exposição (PrEP), oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A grande diferença está na forma de administração: enquanto a PrEP tradicional exige o uso diário de comprimidos, o novo medicamento é aplicado por meio de uma injeção intramuscular a cada 60 dias, reduzindo de maneira significativa o risco de falhas por esquecimento da dose.
Ensaios clínicos internacionais demonstraram que o cabotegravir apresenta eficácia superior em comparação à PrEP oral. Para especialistas, a nova tecnologia representa um marco na prevenção do HIV, ampliando as opções disponíveis e oferecendo mais praticidade, principalmente para quem enfrenta dificuldades em manter a adesão ao tratamento diário.
Apesar do avanço, ainda não há previsão de que o medicamento seja incorporado ao SUS. No mercado privado, o preço de tabela é de aproximadamente R$ 4 mil por aplicação, o que pode restringir o acesso a uma parcela significativa da população brasileira.
De acordo com o infectologista Dr. Marcelo Andrade, a chegada do cabotegravir deve ser vista como um avanço, mas também como um alerta sobre a importância da democratização do acesso: “Trata-se de um recurso altamente eficaz, que pode reduzir de forma expressiva as novas infecções. No entanto, se não houver políticas públicas que garantam a inclusão no sistema público de saúde, o benefício ficará restrito a uma minoria”, afirma.
O lançamento do Apretude no Brasil coloca o país no grupo de nações que já disponibilizam alternativas inovadoras contra o HIV. A expectativa da comunidade científica é que, nos próximos anos, estratégias de acesso ampliado sejam debatidas para que a prevenção chegue a quem mais precisa.